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Blog do Roberto de Souza
 


FILOSOFIA LEAN E GESTÃO DA CONSTRUÇÃO

O “Lean Thinking” é um conjunto de idéias que tem sua origem no Sistema Toyota de Produção. Tais idéias têm tido um grande desenvolvimento nesta última década, e vêm sendo objeto de ampla reflexão e aplicação em vários setores industriais e de serviços, principalmente no Japão, Estados Unidos e Europa. No Brasil a aplicação do “Lean Thinking” vem sendo liderada pelo LIB – Lean Institute Brasil.

Uma das aplicações do Lean se faz na gestão de processos, com foco no combate ao desperdício, conceituado pelo Lean Enterprise Institute como "qualquer atividade que consome recursos e não agrega valor ao cliente".
 
WOMACK e JONES, dois autores americanos teóricos do “Lean Thinking”, definiram com precisão cinco princípios que oferecem uma valiosa colaboração para a gestão de processos e para a gestão empresarial no setor da construção, em especial neste momento de grande crescimento do mercado imobiliário.

1. ESPECIFIQUE O VALOR DO PRODUTO
O valor do produto deve ser especificado a partir do cliente final e para tal este produto deve ter requisitos que atendam às necessidades do cliente, com um preço específico e entregue em um prazo adequado ao cliente. Este valor é criado pela empresa que concebe, projeta, produz, vende e entrega o produto ao cliente final. No caso do mercado imobiliário esta tarefa cabe à empresa de incorporação, apoiada pelas empresas de pesquisa, empresas de projeto, agências de publicidade e imobiliárias.

2. IDENTIFIQUE A CADEIA OU O FLUXO DE VALOR
A cadeia ou fluxo de valor é o conjunto de todas as ações específicas necessárias para se levar um produto, a passar por três tarefas gerenciais críticas: (1)a tarefa de solução de problemas que vai da concepção até o lançamento do produto, passando pelo projeto detalhado e pela engenharia; (2) a tarefa de gerenciamento da informação, que vai da assinatura do contrato pelo cliente até a entrega, seguindo um cronograma detalhado e um planejamento e controle dos custos que deram origem ao estudo de viabilidade que originou o empreendimento; e (3) a tarefa de transformação física – execução da obra - que vai da compra da matéria prima à entrega do produto acabado nas mãos do cliente.
Identificar e mapear com precisão o fluxo de valor completo do produto é tarefa fundamental para enxergar os desperdícios em cada processo e implementar ações para eliminar tais desperdícios, criando assim um novo fluxo de valor otimizado. No caso do mercado imobiliário este fluxo de valor envolve todos os agentes da cadeia produtiva da construção.

3. FAÇA FLUIR O FLUXO DE VALOR
Identificado o valor de acordo com o primeiro princípio, mapeada a cadeia de valor do produto e eliminados os desperdícios de acordo com o segundo princípio, o passo seguinte da filosofia Lean é fazer com que o fluxo otimizado de valor flua de forma harmônica até a chegada do produto ao cliente final, redefinindo-se as funções das empresas envolvidas e dos departamentos das empresas incorporadoras e construtoras, permitindo que estes contribuam para a criação de valor para o cliente. O gerenciamento global do empreendimento, dos projetos e da obra pela incorporadora é essencial para garantir que o fluxo de valor flua corretamente.

4.
DEIXE QUE O CLIENTE PUXE O VALOR
A introdução do fluxo de valor na gestão da empresa incorporadora e construtora permite uma sensível diminuição do tempo necessário para se conduzir os processos e também uma redução dos insumos empregados. Tendo o valor do produto focado no cliente e o fluxo de valor fluindo harmonicamente, a produção passa a ser puxada pelo cliente final, e não pelos próprios processos que geram tempos de espera e estoques desnecessários.

5.
BUSQUE A PERFEIÇÃO
Após a empresa incorporadora e construtora implementar os quatro princípios anteriores, especificando o valor do produto a partir do cliente, identificando a cadeia de valor como um todo, fazendo com que o fluxo de valor flua e com que os clientes puxem o valor, a produtividade empresarial fatalmente aumenta e os custos diretos e indiretos caem. Ao intensificar a aplicação dos quatro princípios de forma interativa, surgem novos desperdícios e novos obstáculos ao fluxo de valor, criando-se oportunidades de melhoria e permitindo sua eliminação. Trata-se de um processo contínuo de aumento de eficiência e eficácia, em busca da perfeição.

Estes são os princípios básicos do Lean mas sua efetiva aplicação prática requer um longo esforço e envolve o domínio de um conjunto de ferramentas alinhadas ao DNA do Lean Thinking.

 

Visando difundir as práticas da filosofia Lean, será realizado nos próximos dias 9 e 10 de junho no Hotel Transamérica, o Lean Summit, encontro que reúne especialistas internacionais e cases nacionais de aplicação dos conceitos Lean. Um dos painéis é dedicado ao setor da construção.

O evento é organizado pelo Lean Institute Brasil.

Veja como participar em  www.lean.org.br



Escrito por bobdesouza às 11h15
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HABITAÇÃO ECONÔMICA, TECNOLOGIA E INDUSTRIALIZAÇÃO

 

Hoje, quarta feira, 14 de maio, estive mediando um debate entre presidentes de empresas fabricantes de materiais no encontro da Cytec com seus parceiros estratégicos. O foco de atuação da Cytec é a habitação econômica e super econômica - preço de venda da unidade entre R$60.000 e R$100.000 – atendendo às várias regiões do Brasil.

 

O debate apontou para alguns pontos interessantes e que merecem ser compartilhados.

 

A leitura é que o segmento de baixa renda, com certeza, será o próximo foco do mercado imobiliário e já é objeto de atenção das grandes incorporadoras e construtoras. Além da queda da taxa de juros e do aumento dos recursos para o crédito imobiliário, o governo federal, por meio do PAC deve destinar recursos significativos nos próximos quatro anos para investimentos em habitação popular visando reduzir o déficit habitacional.

 

No estado de São Paulo a CDHU está estruturando um programa de construção de 40 mil unidades habitacionais e se posicionando como uma agência de fomento, convocando a iniciativa privada para contribuir com a produção de moradias.

 

No panorama internacional, a experiência mexicana evidencia a possibilidade concreta de implementar com sucesso uma política habitacional para países em desenvolvimento focada no segmento de baixa renda. Embora a realidade mexicana seja diferente da brasileira, vários elementos que dão suporte à Política Habitacional daquele País, servem como inspiração para o Brasil.

 

A atuação no segmento de habitação econômica irá demandar uma Política Habitacional consistente que contemple linhas de financiamento de longo prazo e com juros subsidiados, especialmente nas faixas de menor renda. Tal política deve também definir mecanismos institucionais de desburocratização normativa e legal, além de incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias e sistemas construtivos, visando atender grandes escalas de produção, reduzindo o ciclo de construção e adotando um alto grau de padronização de projeto, produtos e operações.

 

Neste novo cenário do mercado imobiliário, a industrialização da construção passa a ser um elemento estratégico para os negócios, em especial aqueles focados no segmento de habitação popular. A industrialização minimiza o risco dos investimentos, propiciando o aumento da produtividade e o controle dos custos, dos prazos e da qualidade, além de contribuir de forma decisiva para a viabilização dos empreendimentos e o retorno do capital investido.

 

O Brasil tem uma rica história de industrialização da construção, contando com um grande repertório de componentes e sistemas industrializados que as empresas construtoras de diferentes portes podem fazer uso e de forma inteligente visando desenvolver uma industrialização aberta e adequada à realidade brasileira.

 

Ressaltam-se neste sentido as várias tecnologias industrializadas para estruturas, vedações, fachadas, revestimentos e sistemas prediais, utilizando diferentes materiais como concreto, aço, madeira, cerâmica, e plástico. Estas tecnologias podem ser utilizadas e articuladas de diferentes formas, inclusive com sistemas mistos que façam uso de diferentes soluções e materiais.

 

Duas premissas são importantes neste processo de inovação: (1) a visão sistêmica e o entendimento de que a tecnologia está a serviço da viabilização do negócio imobiliário; (2) a adoção dos princípios de sustentabilidade - econômica, ambiental e social – no desenvolvimento de tais tecnologias.

 

No que se refere à capacidade de gestão, as empresas privadas brasileiras atuantes na cadeia produtiva da construção, têm alguns diferenciais significativos. Nosso parque produtivo está capacitado para promover a industrialização da construção, assim como para atender às normas de desempenho e as boas práticas de gestão da qualidade, segurança do trabalho e sustentabilidade de empreendimentos.

 

Com o aumento da escala do mercado imobiliário, vamos ter que dar atenção redobrada aos programas de capacitação e qualificação de profissionais do setor envolvendo gestores, supervisores e operários. Esta tarefa é hoje prioritária.

 

Estamos perante um cenário de grandes oportunidades e é essencial a união efetiva da cadeia produtiva da construção para termos êxito na missão de equacionar o déficit habitacional, construindo em quantidade, porém com qualidade, segurança e sustentabilidade.

 

Nesse sentido faz-se urgente que as empresas líderes dos vários segmentos da cadeia produviva formulem uma estratégia setorial, diagnosticando gargalos,  estruturando planos de ação e monitorando a efetividade dessas ações.

 

E vocês leitores, como analisam a importância da inovação tecnológica e da industrialização na construção?



Escrito por bobdesouza às 20h03
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BRASIL GANHA SELO DE QUALIDADE: SOMOS INVESTMENT GRADE

O Brasil foi promovido a investment grade pela agência de classificação de risco Standard &Poor’s.

Fazendo uma analogia com os nossos processos de certificação da qualidade, o que significa isto?

  1. Que recebemos um selo da qualidade de uma entidade certificadora, pois estamos em conformidade com a norma que define o que é um País considerado bom pagador de suas dívidas.
  2. Que nossos fundamentos econômicos – nossos procedimentos e nosso sistema de gestão da qualidade – foram avaliados e demonstram solidez, gerando confiança internacional e evidenciando a capacidade do Brasil pagar as suas dívidas.
  3. Que entramos em um grupo especial de 67 países certificados que têm o selo da qualidade de investiment grade.
  4. Que recebendo tal certificação passamos a ter vantagens de receber investimentos e empréstimos internacionais a custos menores.

Podemos comemorar, pois há mais de dez anos estamos fazendo o dever de casa, melhorando continuamente os princípios macro econômicos e nossa microeconomia. 

Mas não é tudo festa. Há algumas não conformidades e pontos de melhoria que merecem a atenção do setor público e privado:

  1. A inflação merece atenção e deve ser controlada;
  2. Os juros têm que chegar ao patamar de um dígito;
  3. Os gastos do governo ainda são elevados e há necessidade de um choque de gestão para reduzir desperdícios, racionalizar a máquina administrativa, enxugar custos e melhorar a qualidade do serviço publico;
  4. A reforma fiscal torna-se prioritária;
  5. A carga tributária precisa ser reduzida e o custo Brasil tem que cair;
  6. Os investimentos em educação e qualificação profissional têm que ser ampliados;
  7. Temos que modernizar e ampliar nossa infra-estrutura;
  8. As questões habitacional, do saneamento e do desenvolvimento urbano continuam com propostas tímidas; 
  9. É preciso implementar uma política industrial e uma política científica e tecnológica que sustentem um projeto de desenvolvimento nacional;
  10. A produtividade industrial e de serviços do setor privado tem que dar um salto de qualidade, via inovação e gestão, para podermos competir internacionalmente.

E nós do setor da construção o que temos com isto?

Tudo, pois novos investimentos produtivos significam mais emprego, mais renda e novos segmentos sociais entrando no mercado ou aumentando seu poder aquisitivo, o que é fundamental para garantir o ciclo virtuoso de crescimento do mercado imobiliário.

Vamos então comemorar e nos preparar para conduzir as empresas do setor por este caminho internacional, profissionalizando nossa gestão, investindo em inovação, qualificando nossos profissionais, promovendo a sinergia entre as empresas da cadeia produtiva, criando valor para os nossos clientes e praticando a sustentabilidade em seus aspectos econômicos, ambientais e sociais.

Vamos ao mundo?



Escrito por bobdesouza às 23h12
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