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Blog do Roberto de Souza
 


CAMINHOS DO MERCADO IMOBILIÁRIO EM TEMPOS DE CRISE

A crise financeira iniciada nos EUA se alastra por todo o mundo. Nos países desenvolvidos governos e bancos centrais intervêm em bancos de investimentos, companhias de seguros e empresas de securitização. A Islândia quem diria, está em estágio pré-falimentar. As bolsas mergulham no caos e as empresas de todo o mundo são fortemente desvalorizadas. O sistema financeiro mundial está derretendo.

E pensar que tudo se iniciou no mercado imobiliário, com o sub-prime americano.

No Brasil todos esperam as conseqüências e perguntam até onde seremos afetados.

E o nosso mercado imobiliário como fica?
Embora ainda cedo, já é possível identificar algumas tendências.

1. Acompanhando o mergulho no caos, as ações das empresas do mercado imobiliário, que já vinham derretendo, caem ainda mais. Há companhias que hoje valem 20% do que valiam no início do ano.

2. O ritmo de crescimento do mercado que vinha acelerado (30% ao ano) com certeza deve cair a patamares significativamente menores.

3. A restrição de crédito que já atinge todos os segmentos da economia vem chegando também ao mercado imobiliário. Empréstimos à produção antes abundantes e que chegavam a 90% do custo da obra, a taxas competitivas, tendem a escassear e devem chegar ao patamar de 60% do custo da obra, com aumento das taxas de juros e maior nível de exigência por parte dos bancos na análise dos empreendimentos.

4. A restrição de consumo também é fato consumado, devido à insegurança psíquica gerada nos consumidores e aos aumentos da taxa de juros de financiamento do crédito imobiliário que devem ocorrer a partir de agora.

5. Nas empresas incorporadoras e construtoras já se observa movimento de redução de compras de terrenos e lançamentos, com revisão das metas anuais de VGV.

6. Estas mesmas empresas estão em busca de reforço de caixa para viabilizar suas operações – as obras já lançadas e os empreendimentos futuros. Algumas já estão vendendo parte de seu land bank e realizando operações de crédito junto a bancos e fundos de investimentos.

7. Nessa direção deve ocorrer a adoção de novas prioridades na aplicação de recursos, focando parte significativa do caixa para concluir obras em andamento. Deve também ocorrer revisão nos segmentos de atuação com desaceleração dos lançamentos comerciais e de residenciais de médio padrão, com grande oferta no mercado.

8. Outro ponto de revisão na gestão das empresas deve atingir o sistema de remuneração variável, alicerçado em planos de metas e bônus. Com certeza estes valores devem diminuir e chegar a patamares mais realistas dos que vinham sendo praticados.

9. Tudo indica também que os salários se posicionem em níveis mais realistas e deve ocorrer um enxugamento nas equipes de novos negócios e incorporação, à medida que as metas de lançamentos se reduzem.

10. Na área de projetos e obras das empresas deve haver mais foco no planejamento e controle de prazos, custos e qualidade, com a melhoria do desempenho técnico global.

11. Na gestão empresarial o foco nos resultados e na lucratividade deve ser perseguido de forma mais contumaz, pois é necessário blindar as empresas perante o ambiente conturbado, assim como gerar dividendos para os acionistas que perderam muito com a desvalorização das ações.

12. A competição entre empresas e produtos imobiliários deve naturalmente se acirrar com a restrição de mercado e é muito provável que se acelere o processo de fusões e aquisições, levando a uma consolidação do mercado em grandes empresas.

13. Neste quadro sobra espaço no mercado para as empresas altamente profissionalizadas e que já vinham fazendo seu dever de casa em termos de governança e gestão corporativa, sustentabilidade, gestão financeira, gestão de processos, tecnologia, planejamento e controle de obras, tecnologia da informação, marketing e vendas.

14. Como em toda crise há um enorme campo de oportunidades surgindo. Podemos aproveitar o momento para redesenhar empresas e negócios, promovendo as bases para um desenvolvimento sustentável do mercado imobiliário. Temos toda a competência para tal.

E você como está percebendo os efeitos da crise?
Faça seu comentário!


Escrito por bobdesouza às 17h24
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