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Blog do Roberto de Souza
 


FAZENDO UM BREVE BALANÇO DO ANO DE 2008

O ano de 2008 termina com sabores variados, entre o doce que provém do fortalecimento e consolidação do mercado imobiliário e o amargo oriundo da crise financeira internacional que freia o crescimento do setor nos níveis que vinha experimentando nos primeiros 9 meses do ano.

Em minha opinião, no balanço geral, contamos muitos pontos positivos e alguns negativos que temos que cuidar com muito carinho em 2009.

Criamos bons fundamentos macro-econômicos no País que aliados ao patrimônio de afetação, alienação fiduciária e expansão significativa do crédito imobiliário e dos prazos de financiamento, propiciaram condições estáveis para o desenvolvimento do mercado imobiliário.

Empresas fizeram IPO (nem todas de forma consistente) o que proporcionou uma alta profissionalização no nível de governança, gestão financeira e gestão corporativa, antes desconhecidas no mercado.

Os produtos imobiliários se sofisticaram assim como seus estudos de viabilidade, aproximando as análises dos empreendimentos dos parâmetros utilizados no mercado financeiro. As pesquisas de mercado passaram a ser ferramentas importantes na definição de produtos, identificando necessidades dos clientes e medindo o potencial de vendas para os potenciais produtos. Embora com equipes muito jovens, inexperientes e muitas vezes deslumbradas atuando em novos negócios, incorporação e vendas, tivemos algum nível de profissionalização nestas áreas.

Tivemos também alguns avanços na área de projetos, com a utilização de aplicativos WEB de gestão e com a paulatina mas ainda vagarosa introdução do BIM nas incorporadoras e escritórios de projeto. De outro lado face à grande quantidade de lançamentos e a baixa qualificação dos profissionais, piorou a qualidade do processo de projeto, resultando em falhas graves de concepção e detalhamento (ou falta dele).

Na área de suprimentos o processo de compras e contratações se sofisticou, dando origem a prática de parcerias e desenvolvimento de fornecedores. Os fabricantes que antes vendiam 80% de sua produção para o varejo, viram as vendas diretas para construtoras se ampliarem e precisaram entender melhor as necessidades desses grandes clientes, tanto em termos de qualidade, entrega e logística quanto de desenvolvimento de novos produtos. Quando as relações de parceria e ganho mútuo estavam se aperfeioçando veio a crise e esfriou o clima do namoro.

Nas obras vivemos um paradoxo. De um lado melhoramos na logística, segurança, uso de equipamentos e na consolidação de algumas tecnologias construtivas. De outro pioramos no planejamento e controle e na gestão da qualidade dos canteiros. De novo fomos influenciados pela grande escala de produção e a inexperiência dos jovens engenheiros, pois os mais experientes ou foram para postos de gerenciamento ou para a área de novos negócios e incorporação (mais chique e prestigiada, pois a palavra de ordem era gerar VGV). A baixa qualificação dos empreiteiros e o grande volume de obras, também influenciaram nesta queda da qualidade.

É claro que com a piora da qualidade de projetos e obras, a área de assistência técnica ganhou peso (literalmente) e os problemas pós-entrega se agravaram. Mesmo as empresas fazendo um grande esforço na melhoria do processo de relacionamento com os clientes, o número de problemas na fase de uso aumentaram gerando insatisfação e prejudicando a imagem corporativa das incorporadoras e construtoras.

Em termos de gestão, além da governança corporativa, gestão financeira, transparência e prestação de contas a investidores, a sustentabilidade ganhou importância e pode ser considerada a grande tendência do mercado para os anos futuros. Começamos com os processo de certificação de empreendimentos aplicando a metodologia do green building (LEED) e terminamos o ano de 2008 evoluindo para a aplicação da sustentabilidade corporativa, adotada como valor estratégico para os negócios da empresa e sendo paulatinamente desdobrada para os processos de gestão da organização e envolvendo as dimensões econômicas, ambientais e sociais.

Com a crise financeira novos desafios foram colocados, abrindo espaço para fortalecer os pontos positivos que conseguimos em 2008 e neutralizar os pontos negativos já diagnosticados.

Como em toda crise há um enorme campo de oportunidades surgindo. Podemos aproveitar o momento para redesenhar empresas e negócios, promovendo as bases para um desenvolvimento sustentável do mercado imobiliário. Depende de nós.

Faça de 2009 um ano especial para sua empresa e para sua carreira profissional.

Seja feliz sempre!

 



Escrito por bobdesouza às 20h46
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