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Blog do Roberto de Souza
 


A HORA É DE GESTÃO, CONTROLE E AUMENTO DA EFICIÊNCIA

A crise tem colocado na pauta dos executivos das empresas dos vários setores a reflexão sobre os novos caminhos e modelos a serem seguidos.

Em particular no mercado imobiliário muito tem se refletido sobre os riscos que estávamos correndo com o forte crescimento do mercado ocorrido nos anos de 2007 e 2008. Naquele cenário de acelerado crescimento as empresas líderes adotaram a estratégia de fazer volume de lançamentos na perspectiva de tornarem-se empresas consolidadoras em um mercado com mais de 20 empresas de capital aberto atuando no Brasil.

Os movimentos foram na direção do aumento do número de lançamentos orientado pelas metas de VGV, da diversificação dos segmentos de atuação (do econômico ao alto padrão) e da ampliação da atuação regional por meio de parcerias regionais nas principais cidades do País.

Embaladas pelos ventos favoráveis (mas inconsistentes) do mercado financeiro, as empresas foram em busca de fundos de investimento e da abertura de capital para alavancar seus negócios.

Muito dinheiro foi captado, terrenos foram comprados a preços inflados, estudos de viabilidade foram feitos sem avaliar riscos, custos de construção foram rebaixados e parcerias foram feitas às pressas, pois o mote era liderar em quantidade.

Mesmo antes da crise alguns resultados já preocupavam: valor das ações das empresas do mercado imobiliário em queda livre, endividamento para fazer land bank e falta de caixa para tocar as obras. Isto sem contar a baixa qualificação profissional e a sensível queda na qualidade dos projetos e obras. A crise na verdade, com a forte restrição de crédito, veio só agravar um quadro já em vias de deterioração.

Embora as empresas de capital aberto por exigência da lei tenham criado mecanismos de governança corporativa e transparência perante investidores, tais mecanismos debruçavam-se mais sobre questões financeiras e atendimento a procedimentos da CVM e muito pouco sobre a gestão corporativa, a prática da boa engenharia e o controle rigoroso dos processos, empreendimentos e obras. A eficiência empresarial e operacional simplesmente não estava na pauta.

Pós-crise, voltando ao mundo real, algumas empresas do mercado imobiliário, com mais tempo para pensar, estão colocando como meta estratégica o aumento da eficiência e a melhoria dos sistemas de gestão e controle visando garantir os resultados e a perpetuidade da organização.

No redesenho do mercado financeiro e das empresas que vai surgir após a crise internacional os sistemas de gestão e controle tendem a se tornar mais rígidos e auditados pois muitas das perdas financeiras de acionistas e investidores ocorreram devido à inconsistência dos sistemas de controle e de gestão de riscos das empresas e do mercado financeiro. Esta é uma herança inevitável da globalização que as empresas brasileiras vão receber.

No mercado imobiliário os sistemas de gestão e controle assumem grande relevância devido ao longo ciclo do negócio e dos inúmeros agentes e etapas do processo - seleção e compra do terreno, concepção e desenvolvimento do produto, projeto, lançamento, vendas, gestão da carteira, suprimentos, execução da obra, entrega e assistência técnica pós-uso. Para as empresas de capital aberto os sistemas de gestão e controle assumem ainda maior importância pois a transparência e a prestação de contas para acionistas e conselhos de administração é um elemento a mais a ser considerado na gestão corporativa.

O aumento da eficiência e da produtividade assume também relevância para as empresas do mercado imobiliário, pois o resultado dos empreendimentos e dos negócios está totalmente associado à eficiência e produtividade dos processos financeiros, administrativos, técnicos e de execução das obras. A grande questão hoje colocada é como produzir a mesma quantidade e a mesma qualidade com menores custos e consumindo menos recursos?

O momento atual coloca um desafio muito interessante para a sobrevivência e competitividade das empresas do mercado da construção.

De um lado temos que aumentar a eficiência e a produtividade dos processos de incorporação, projeto e construção reduzindo custos e gerando melhores resultados financeiros. De outro lado temos de promover a gestão e o controle rigoroso destes processos, garantindo a qualidade do produto final e a sustentabilidade da empresa em suas dimensões econômica, ambiental e social.

Um desafio que deve mobilizar as competências jurídicas, de arquitetura, engenharia, administração, gestão financeira, gestão de riscos, gestão de custos, gestão de processos, tecnologia da informação, marketing, relacionamento com o cliente e governança corporativa.

O enfrentamento deste desafio exigirá o rompimento de paradigmas e o desenvolvimento de novas práticas e formas de gestão e controle e com certeza vai promover a maturidade empresarial do setor da construção. Não podemos esquecer que é fundamental promover hoje as mudanças necessárias para nos posicionarmos em um momento de retomada do crescimento da economia e do mercado imobiliário, após superação da crise.

As empresas que tiverem como princípios estratégicos o foco no cliente, a excelência em processos, o aumento da eficiência e dos controles e a gestão da sustentabilidade econômica, ambiental e social, com certeza vão sair fortalecidas deste processo e vão exercer a liderança do mercado.






Escrito por bobdesouza às 18h55
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